No volume XVII, Além do Princípio de Prazer. No texto "Psicologia de Grupo e Análise do Ego" escrito por Sigmund Freud (1921), ele afirma que o indivíduo sofre influências do meio nas tomadas de decisão individuais.
E estudando a obra de Lebon (1985) Freud constatou que:
Lebon “afirma que o indivíduo em um grupo pensa e age de maneira bem diferente que pensaria isoladamente (...)”; (...) “pois sua personalidade consciente se esfacela em proveito de uma personalidade inconsciente (...)”; no grupo observa-se o que faz chamar de inconsciente coletivo; o indivíduo pode suprimir os seus interesses pessoais em nome do grupo: “interesse coletivo”.
Para Freud aquele que ocupa o lugar de hipnotizador do grupo é o elemento chave.Lebon cita ainda que o indivíduo no grupo pode ser adulto, mas por ser tomado pelas pulsões e se tornado vítima dos mesmos, torna-se bárbaro.
“Não existe lugar para a bondade”, ( ... )“ele exige do seu grupo como herói, como pai totêmico: força e brutalidade”.
“Ela quer ser dominada, oprimida e temer o seu mestre”.
Exemplo: Brincadeira infantil da “boca do forno”.
Lebon preconiza que a maioria dos indivíduos tem a necessidade de ser um chefe. E este indivíduo que se torna chefe tem um magnetismo chamado de “prestígio”, uma força misteriosa.
O PAPEL DO AFETO:
Freud, também, estudou outros estudiosos de grupo como Mc Dougall.
Mc Dougall demonstra, através de estudos de grupo simples, que os indivíduos, mesmo de forma isolada, devem ter um interesse entre si. Assinala, também, que o papel central que desempenhariam os afetos dentro de um grupo e na formação deste grupo seriam as emoções sendo exaltadas e os sentimentos inibidos.
(...) é certamente trabalhado para dar prazeres aos participantes, para que abandonem perdendo as más posições e só aí poderia ligar-se a um grupo ou ao grupo. Segundo Mc Dougall é, só aí, que os indivíduos se esfacelam; só então ele é reconhecido.
Obs. A igreja divide a família, enfraquece-a e tira os indivíduos deste contexto e aí, então, prometi um único e só amor. O amor Eros de Platão este que seria então döng = força de coesão do grupo: “força do amor”.
ESTUDOS DE FREUD DA IGREJA E DO EXÉRCITO:
(...) “dessa ilusão depende tudo”, afirma Freud; se deixasse que ela desmoronasse, a igreja e o exército se desagregariam em pouco tempo, na medida em que a coerção extrema permitiria.
Aliena a família para tirar vantagens pessoais e ajuda a manter a ordem para o estado.
Amor X Ódio como força de döng, amor e ódio são mantidos juntos, uma ambivalência; observa-se que as unidades de grupo se mantêm coesas quando estas se dissipam.
Nota-se que os indivíduos isolados estão dispostos a renunciar aos seus interesses pessoais em favor do grupo.
Freud atribui essa limitação, ao narcisismo, à natureza afetiva das ligações libidinais que estabelece entre si.
IDENTIFICAÇÃO
EXPRESSÃO PRIMEIRA DA LIGAÇÃO AFETIVA COM OS OUTROS.
(...), “ele, o sujeito, gostaria de ser como o seu pai totêmico; tomar o lugar dele em todos os aspectos. Podemos dizer que ele idealiza seu pai como pai ideal.”Grifo meu.
Neste contexto sustento que as formas de identificação no meu modo de ver se diferenciam de Freud. Consigo ver uma forma identificativa, a partir do momento em que a crianças tem que abandonar o seu mundo psicótico para adentrar no mundo da linguagem. Se o primeiro objeto de identificação para a criança é a mãe, então ela aprende a língua da mãe. Mas, como a mãe, é uma mulher, que deseja sexualmente um homem, que ele ou ela, a criança, vai chamar de pai, a criança se aproxima do pai para conhecer que objeto de prazer e de sustento é este. Pois, além de sustentá-los, sua mãe denomina-o de seu pai.
Na linguagem da mãe a criança percebe que, tanto ela como aquele homem, pertence na linguagem da mãe como seus. Neste momento, a criança percebe que o pai, tanto paga as coisas para ela, como paga para ter a mãe. O perigo é quando a criança sentir que, para tê-la, o pai tem que pagar por ela. Aí, ela se sente um peso. Grifo meu.
O conflito da criança se torna grande (...), principalmente quando os dois, pai e mãe, disputam o amor dele (a), ele (a), se sente importante na situação vivencial e o momento em que ele (a) passa a se ver como um objeto de si mesmo (...). Sozinho (a) ele (a) só pode recorrer ao seu narcisismo, sua divisão aparece em forma de sintoma por ter que escolher apenas um dos cônjuges.
1º PONTO:
Se for menino, se tornará rival do pai e lutará com a sua fragilidade para obter o amor incondicional da mãe. Odeia o pai, mas sabe que está preso a ele para se sustentar e, ama a mãe, por achar que ela é tão frágil como ele, por depender deste homem que a mantêm, que é o objeto de prazer mãe. Percebe que o pai trata a mãe não como uma mulher, mas, sim, como a mulher assexuada que cuida dos seus filhos. E é “na crise de consciência (ausência) que as crianças teriam de simbolizar.”
Freud acerta em escrever que a identificação ocupa o lugar de escolha do objeto.
A escolha do objeto retornou à identificação. Isso pode se ver claramente na clínica quando o analisando não sabe se odeia ou se ama.
Esta tese pode ser comprovada em Freud quando ele observa os fenômenos patológicos ao tentar descobrir como as pessoas normais funcionam. Aí ele introduz uma distinção entre o ego e o ideal de ego (...), ego total e objetos externos; os objetos externos produzem o mundo interior.
Grifo meu: quando o homem sabe diferençar que ele pode obter prazer dos objetos externos sem colocar o seu ego no sentimento de perigo ele pode se sentir normal.
2°PONTO:
No caso da menina, ela se sente frágil e vê a mãe como vítima de homem, que sua mãe denomina de pai. Ela rejeita a introjeção deste par parental. No meu ponto de vista a menina se sente mais frágil e humilhada por ter que ser sustentada por este homem. E se coloca na condição de pária, mas tendo que ser sustentada por este homem coloca-o no lugar de objeto protetor e passa a buscar um ideal de homem que cuide dela; por ter tornado seu o pai um homem que não teria condições de cuidar dela passando a odiar a sua mãe.
Em um segundo plano, ela se liga a um homem, na vida adulta, para vingar sua mãe. Pegando até como imagem: eu vou ter outros homens melhores para minha vida. Talvez por ter escutado sua mãe dizer que: outro homem teria sido melhor para os filhos dela.
Sérgio Costa
Psicanalista Didata
Referência Bibliográfica:
FREUD, Sigmund. Obras Completas. Rio de Janeiro: Edição Standart Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud.