Prof. Sérgio Costa
O homem passa por dois momentos distintos na vida e na formação de suas sociedades. Santo Thomas de Aquino nos deixou bem claro um passado mais recente que via no trabalho uma atividade imprescindível somente para suprir as necessidades humanas, pois havendo condições de subsistência, já era o necessário para viver.
Influenciado pelas idéias de cultura grega, o homem não tinha que trabalhar exaustivamente, e sim ter uma vida contemplativa, vinculada à Deus. O ponto de vista econômico advertia para o perigo do homem ambicionar vôos mais altos.
O catolicismo, ao considerar que riqueza e pobreza eram dons de Deus, postergava a igualdade para um futuro reino divino, perpetuando, assim, a injustiça o tempo presente.
O trabalho era considerado indigno para o homem da nobreza, suas atividades eram dedicadas ao pensamento. Com a exploração comercial e financeira e o surgimento do capitalismo, o mundo e as doutrinas religiosas tomaram rumos ignorados e cruéis para com a humanidade. Mais uma vez, o homem através da cultura, sofre uma influência feroz: os camponeses e artesões, controlavam o seu ritmo de trabalho e suas atividades passaram a sofrer o peso da lei onde eram obrigados a trabalhar em ritmos forçados nas fábricas, durante horas a fio, sob disciplinas severas, serviços repetitivos, expostos ao calor, frio e barulho.
Levados ao esgotamento físico e mental, os homens que viveram no século XIV começaram a se rebelar. Os produtos de artesanatos, neste período, já não tinham mais preços. A mão-de-obra tornou-se um meio de exploração. Esse contexto fez com que os capitalistas se tornassem “filantrops” e se dedicassem à recuperação dos desvalidos, oferecendo ou impondo aos trabalhadores serviços a troca de comida.
O homem teve a sua liberdade cerceada, e os poderes de então utilizavam o sutil argumento de que, quem era vadio-indolente, atentava contra a moral e os costumes.
Michel Foucault, na obra História da Loucura, retrata bem essa época. Ele cita o surgimento do primeiro hospital geral (psiquiátrico) e a carteira de trabalho na França, instrumentos controladores do sujeito humano. Quem não se adequasse às regras estabelecidas era internado. Estava então instituída a loucura.
Uma nova corrente de idéias toma lugar: a indisciplina, a desordem, o ócio, atentavam contra os desígnios de Deus. Uma frase célebre, de autoria do industrial alemão Alfred Krupp, marcou época: “Nós só queremos operários fiéis, que nos tenham no fundo do seu coração pelo reconhecimento do pão que os deixamos ganhar”.
Esse quadro de uma perfeita máquina do mundo nos leva a pensar em um criador (um deus) monárquico, que governa o mundo impondo sua lei divina. Então temos que, tudo que não é deduzido dos fenômenos será chamado de hipótese, e as hipótese, sejam elas metafísicas ou físicas, dotadas de qualidades ocultas ou mecânicas, traem para o sujeito uma ruptura que pode abolir o seu psiquismo.