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A Subversão do sujeito 2ª parte

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Prof. Sérgio Costa

Ao colocarmos a angústia em discussão, estamos abrindo um leque de possibilidades de abordagens da angústia.
No campo da filosofia, psiquiatria, psicologia, psicanálise, temos que ter uma escuta muito bem apurada para compararmos e discernirmos se ambas as ciências estão dando o mesmo enfoque do homem que expressa a sua angústia como forma de expressão de vida, de luta de vida contra a vida para não morrer, ou de luta contra a morte contra a vida, ou se são discursos diferentes que enfocam aspectos singulares que diferenciam o homem dos manuais de psicopatologia. Desde que o homem se constitui como homem, ele possui angústia. Ela Faz parte da vida; ela é o combustível da existência. O ser humano em desenvolvimento possui a necessidade da angústia para impulsioná-lo para frente. Heidegger que estudou e escreveu a obra "Ser e Tempo", refletiu sobre a dimensão ontológica da angústia. Por ser constitutiva do ser, a angústia não está ligada a um perigo ou a uma ameaça, pois não é uma realidade determinada que a provoca, compreendida do ponto de vista ontológico no ser humano. Para Heidegger, o homem está ontologicamente angustiado, pelo fato de estar no mundo, isto é, de ser no mundo, com possibilidade global, e não como uma determinada possibilidade, seja ela saúde, ou status quo, de ser tudo o que possa ser.

Para uma melhor reflexão do objeto em estudo, a angústia, temos que fazer uma distinção entre angústia e temor.
Podemos supor que há um parentesco entre eles: ambos são fenômenos que, na maior parte das vezes, permanecem inseparáveis um do outro, isso a tal ponto que se chama angústia o que é temor, e temor quando o fenômeno tem caráter de angústia. Por isso a angústia não tem aqui e nem um ali; ela não é palpável ; ela toma um corpo no campo psíquico com um aspecto fantasmático, um espectro que começa com um pequeno núcleo que leva ao sentimento de fragilidade e depois vai se tornando difusa, causando um lado ameaçador que não tem um ponto definido em lugar nenhum. Assim, a angústia enfoca o estar-no-mundo. O que angustia o homem é a possibilidade do nada, do não-se,que representa a morte, e o modo globalizado de viver a vida e admitir a morte como um estado de não ser e não ter.

Ai então podemos dividir a angústia em :

1- O lado normal que ativa o estado de ânimo que preside o interesse. A curiosidade em conhecer e aprofundar, em tudo, o que a vida nos oferece.

2- O lado obscuro que joga para baixo o ser humano. A angústia é vivida como tal intensidade que paralisa a existência do ser humano, que chega a ameaçar a integridade de nossa personalidade, e subverte o mais valoroso dos componentes humano, o espírito, a nível tão profundo que altera a estrutura da personalidade.


Eu é só por meio da reflexão que o ser humano pode sair desse buraco, cavado por si próprio. Quando aprendemos a refletir, sintetizar, e elaborar os momentos difíceis que vivemos, só ai é que podemos tomar nossa vida nas mãos.
Então, teremos condições de estabelecer o sentido da vida, e darmos um rumo para nossa própria existência.

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